Entrevista do blogue "In Silencio" ao Coordenador Nacional da JN, Filipe Baptista e Silva

In Silencio – Filipe, antes de mais, obrigado por teres aceite o convite do In Silencio. Qual a tua ocupação?
Filipe Batista e Silva – Sou estudante do curso de Geografia na Universidade do Porto.

IS – És referenciado como Coordenador da Juventude Nacionalista no dia-a-dia laboral/académico ou ainda passas desconhecido?
FBS – Os meus amigos e colegas próximos têm conhecimento dos meus ideais e do cargo de ocupo na Juventude Nacionalista. Alguns dos meus professores conhecem as minhas ideias políticas. Nunca escondi o que sou ou o que faço no movimento nacionalista, mas também não ando com um letreiro na testa.

IS – Já foste abordado alguma vez por causa disso?
FBS – Directamente, nunca nenhum desconhecido me abordou por esse facto. A JN é uma organização muito recente e ainda desconhecida da maioria das pessoas. Somos apenas conhecidos pelos nacionalistas, pela extrema-esquerda militante, pelos jovens estudantes que já se depararam com a nossa propaganda e por algumas pessoas que já leram na imprensa notícias ou referências à nossa organização.

IS – Em breves palavras, explica (aos mais desatentos) o que é a Juventude Nacionalista.
FBS – A Juventude Nacionalista é a secção jovem do Partido Nacional Renovador (PNR). Dependemos directamente da Direcção do partido mas gozamos de uma grande autonomia de acção. Quer isto dizer que, uma vez nomeada a Direcção da Juventude, esta tem plenos poderes para a dirigir, sem interferências nem ingerências.
O propósito da criação da JN foi o de mobilizar jovens para o movimento, dando-lhes a possibilidade de integrarem uma organização mais adequada à sua idade, sem os formalismos e a rigidez próprias de um partido. O principal objectivo da JN é trabalhar ao nível nas escolas e universidades, de forma a conquistar a confiança dos jovens no nacionalismo e recrutar o maior número possível de militantes. Com essa mobilização de jovens na JN, pretendemos ajudar a formar os futuros quadros do PNR e, em geral, a futura geração de nacionalistas.
No entanto, temos um desígnio mais vasto e ambicioso. Queremos ser a base de uma futura elite nacional. Uma espécie de reserva anímica e moral da Nação, constituída por pessoas de elevado potencial combativo e com um grande sentido de serviço e entrega à Nação e ao Ideal.
Uma última ideia a respeito da organização da JN: Queremos ser muito mais do que um chefe a mandar e os militantes a obedecer. Não é esse o nosso modelo, embora o respeito pela hierarquia seja, de facto, uma condição sine qua non para o bom funcionamento interno. Aquilo que queremos realmente é ser uma plataforma onde se reúnam as vontades e as energias de cada militante e de cada núcleo. A Juventude Nacionalista tem que ser como um lar, no qual os seus membros se unem por estreitos laços políticos, ideológicos e metafísicos e em que todos participam na vida interna, cada qual com a sua função, cada qual com a sua cota parte de responsabilidade, cada qual com o seu mérito. É esta a visão e o modelo que tenho tentado incutir.

IS – Quando surgiu a ideia de criar a mesma?
FBS – A ideia criar uma juventude do partido já tem alguns anos. A antiga publicação JovemNR, da responsabilidade de jovens do partido, foi uma iniciativa que quase impulsionou a criação de uma organização de jovens do PNR. No entanto, por motivos vários, a ideia não chegou a vingar.
A juventude que agora existe surgiu na sequência da II Convenção Nacional do PNR, de Junho de 2005, e é da exclusiva responsabilidade do Presidente do PNR, que pretendia implementar uma estratégia para dinamizar o partido, conquistar terreno junto dos jovens e criar as futuras bases do partido. E a criação de uma juventude encaixava plenamente nessa estratégia. Com efeito, uma das propostas de José Pinto-Coelho, caso ganhasse a Convenção, como veio a ocorrer, era a criação da JN. Para esse efeito, convidou-me para criar e liderar a nova organização. O Emanuel Guerreiro e a Rita Vaz são os dois camaradas dirigentes que escolhi para me acompanharem, lado a lado, na edificação desse ambicioso projecto.

IS – Quantos membros possuem?
FBS – Neste momento (meados de Fevereiro de 2006), a JN possui mais de setenta filiados. Não é um número astronómico mas, para uma organização que está a recrutar há apenas seis meses, com todas as dificuldades próprias do início de uma nova organização, e com toda a hostilidade mediática relativamente aos nossos ideais, podemos considerar que é um número muito animador. Além disso, a Juventude Nacionalista possui já 7 núcleos locais oficiais e muitos outros estão na iminência de serem oficializados.

IS – O vosso crescimento tem aumentado notoriamente. A tendência é para continuar?
FBS – De facto, em apenas meio ano de existência não só reunimos muitos jovens do nosso lado como temos organizado e estado presentes em muitas e diversas actividades: acções de propaganda, acções de protesto, acções de formação. Estou absolutamente convencido que o nosso crescimento é inevitável! A JN tem muito potencial para crescer. Tem uma organização exemplar e uma engrenagem oleada; tem uma estética moderna e apelativa; tem posições fortes e destemidas; tem respostas concretas para os problemas da actualidade; tem dirigentes e responsáveis muito capacitados; tem uma inclinação natural para a acção concreta, a acção na rua, a acção na escola, a acção na universidade… A situação nacional (e internacional) e a falta de alternativas radicais para os problemas (radicais) do futuro fará o resto… De facto, tudo converge, na Europa e no mundo, para o regresso dos nacionalismos. Por conseguinte, só posso acreditar no nosso crescimento.
No entanto, esse crescimento depende muito daquilo que cada um dos militantes da JN for capaz de fazer pela organização. Uma organização nacionalista não cresce apenas porque os problemas derivados da imigração ou da perda da soberania e da identidade nacional se agudizam… É preciso que essa organização tenha uma imagem e uma actuação impecável, para que possa transmitir confiança às pessoas e, assim, receber o seu apoio incondicional. Além do mais, não basta a uma organização ter um bom coordenador e bons dirigentes. É preciso que cada militante trabalhe em prol dos ideais e da organização. É preciso que cada militante, no seu dia-a-dia, seja o melhor testemunho vivo da sua organização. Se os jovens da JN forem bons exemplos na sociedade, na escola, no trabalho, na família, então o nosso futuro está assegurado. De facto, sem uma militância de base ao melhor nível, os melhores dirigentes do mundo pouco podem fazer pelo futuro da sua organização!
O meu desejo é que os jovens nacionalistas adiram totalmente a essa proposta de serem elementos de grande valor na sociedade. É óbvio que nem todos podemos ou precisamos ser “doutores” ou “engenheiros”. Não é isso que se pretende. O que se pretende é que todos tentemos ser os melhores onde quer que estejamos e no que quer que façamos. É esse o grande desafio que se coloca diante de todos nós, jovens nacionalistas!

IS – Como aderir?
FBS – Muito simples: Preencher o boletim de adesão que está disponível no nosso sítio na Internet. Enviar o boletim, juntamente com uma cópia do BI, para o nosso apartado. Enviar 15 euros relativos à inscrição/primeira anuidade, de preferência por vale postal, à ordem de “P.N.R.”. Assim que tudo estiver validado, enviaremos o cartão de militante para a morada indicada.
Aproveito para recomendar a todos os jovens nacionalistas interessados em aderir que, antes de o fazerem, leiam atentamente os nossos principais documentos doutrinários e o Regulamento Interno da JN, onde constam os deveres e os direitos do militante. É bom que cada militante conheça as regras da organização assim como aquilo pela qual ela se bate politica e socialmente.

IS – Quais são as vossas maiores limitações?
FBS – De um modo global para todo o movimento nacionalista e, por inerência, para a JN, a maior limitação é, sem dúvida, a adversidade da comunicação social. Todas as restantes limitações são derivadas desta. Por exemplo, a escassez de capital humano e financeiro não seria tão grave se a comunicação social encarasse o nacionalismo como uma opção tão legítima como as demais. Sem capital humano não podemos chegar tão facilmente a todo o país, nem intervir em todas as áreas prioritárias. Sem capital financeiro não podemos ter sedes, nem funcionários próprios, nem a logística adequada…
Mais especificamente para a Juventude Nacionalista, a maior limitação é, além das já mencionadas, o facto do meio escolar e universitário ser muito hostil às nossas ideias. Em boa parte, isso é culpa dos professores: uma classe amplamente dominada pela esquerda. Assim, os jovens nacionalistas terão uma dificuldade acrescida em afirmarem-se como tal e a ideologia nacionalista encontrará alguma resistência ao tentar entrar nos estabelecimentos de ensino.
Mas que não haja dúvidas: Disseminar o nacionalismo nas escolas é absolutamente decisivo para o sucesso da nossa Causa! Por isso, nenhuma dificuldade nos iliba de não trabalhar! Se o meio escolar/universitário é hostil, se os professores são anti-nacionalistas, então isso requer uma resposta mais determinada e competente da nossa parte! Como diria Julius Evola, nem que o mundo esteja em ruínas, o mais importante é que cada jovem nacionalista se mantenha bem vertical! É aí que reside o valor e o carácter de cada um!

IS – A J.N. luta, por exemplo, contra as drogas, a imigração e a globalização. Será uma batalha fácil?
FBS – É uma batalha que não pode ser travada só por nós, nem só pelo PNR, nem tão-pouco só por um futuro Estado Nacionalista Português. É uma batalha a ser travada, futuramente, por uma Europa de Estados Nacionalistas. Para já, a batalha reside apenas no campo das ideias. Só quando chegarmos ao Poder, a par de outros movimentos nacionalistas da Europa, poderemos ocupar-nos de construir um novo modelo político-social que nos livre das tiranias da droga, da imigração, da mundialização, entre tantas outras… Como diria Gramsci, para já, o importante é que lutemos no campo das ideias, que façamos algo pela revolução cultural que antecede sempre a revolução política. Por isso, é imperioso criar na sociedade uma atmosfera favorável às nossas ideias e oposta, cada vez mais, ao modelo vigente.
A JN tem uma enorme responsabilidade nessa tarefa uma vez que actua junto dos jovens. Por exemplo, se promovermos a pratica desportiva e o exercício físico e se alertarmos para os malefícios das drogas; se incutirmos nos jovens o gosto pela cultura nacional e se alertarmos para os problemas decorrentes da ideologia mundialista, então estaremos a contribuir enormemente para um futuro nacionalista. Isto atesta bem a utilidade estratégica da JN no conjunto do movimento nacionalista! É vital que uma organização se dedique exclusivamente aos jovens, dando-lhes a orientação e a doutrina necessárias para erguer das ruínas a futura geração nacionalista!
Mas, obviamente, nem a batalha das ideias nem a que se lhe segue (a batalha concreta, usando meios estatais, assumindo que chegamos ao Poder) são batalhas fáceis. Mas a vitória é mais do que provável. Com vontade e determinação, tudo é possível!

IS – Um dos comunicados mais recentes da J.N. foi: «Crianças e Jovens passam demasiado tempo em frente ao televisor». Qual é a razão do alarme?
FBS – Quando sabemos que a televisão é, hoje, o maior “educador” dos jovens, substituindo-se cada vez mais à escola e à família, e quando sabemos que é ela a maior propagadora da corrupção de valores e de costumes e a maior promotora do ódio contra o nacionalismo e contra o orgulho na nossa Nação, na nossa história e identidade, então facilmente percebemos a razão do alarme. A televisão tem sido usada pelos agentes do sistema para espalhar muitos dos vírus responsáveis pela degenerescência do nosso povo. Enfim… um livro não seria suficiente para descrever os malefícios da TV, nem o lixo que ela promove, nem os métodos que emprega para manipular as massas…
Outro problema prende-se com questões de saúde e de estilo de vida. Mais de 7 horas diárias sentado num sofá a ver televisão não dá saúde a ninguém! Se os jovens repartissem essas 7 horas a ler, a praticar desporto ou em actividades comunitárias, só teriam a ganhar. Eu, por exemplo, não tenho sequer televisão no meu local habitual de residência. E não perco nada por isso. Bem pelo contrário! Ganho tempo, saúde física e mental!

IS – Últimas palavras aos leitores do In Silencio.
FBS – Antes de tudo, uma palavra de agradecimento pela entrevista e pelo interesse em conhecer e dar a conhecer melhor a Juventude Nacionalista. Termino com um apelo à acção de todos os jovens nacionalistas: Não fiquem no sofá à espera que outros façam aquilo que vos compete fazer. Todos podem e devem participar na regeneração de Portugal! Não queiram um dia lamentar-se por não terem estado presentes nesta cavalgada heróica pela Revolução Nacional!