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Basta de (pouca) vergonha! |
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02-Sep-2008 |
Num país em que a Justiça anda pelas ruas da amargura, com críticas
severas ao governo vindas de todos os quadrantes sociais e judiciais,
foi com enorme espanto e indignação - de muitos tal como nós - que
surgiu a notícia da milionária indemnização ao ex-suspeito de pedofilia
Paulo Pedroso.
Paulo Pedroso deixou de ser considerado arguido por decisão do Tribunal
de Instrução Criminal, o mesmo tribunal que decretou a medida de prisão
domiciliária a um nosso dirigente por suspeitas de «envolvimento
político» e a detenção de mais de 60 nacionalistas, e foi com base
nessa decisão que agora se considerou «erro grosseiro» a aplicação da
prisão preventiva ao dirigente socialista.
A indemnização agora atribuída ao ex-ministro do governo de António
Guterres é a maior de sempre decretada por um tribunal em Portugal. As
indemnizações às famílias de vítimas de acidentes de trabalho não
passam em média, segundo fonte judicial, 20 a 30 mil euros, e estamos a
falar de mortes. O ex-ministro do Trabalho e da Segurança Social
recebeu a indemnização recorde de mais de 100 mil euros!
O ilustre político e ex-deputado do PS, já felicitado por José
Sócrates, nem sequer se dignou, por exemplo, a anunciar a
atribuição desse «subsídio» a uma organização de combate à pedofilia e
ao abuso sexual de crianças, já que fez parte da pasta da Solidariedade enquanto ministro. Seria o mínimo que se podia exigir a alguém movido pelo «imperativo ético» anunciado e
detentor de genuína «solidariedade».
Assim, ficará sempre a suspeita no ar, sobre os contornos de um caso
que prometeu um «terramoto» mas que parece esmorecer-se ao mesmo ritmo
que desaparece o sentimento de justiça neste país, e o PNR só
tem a lamentar profundamente que essa mesma «justiça» tenha dois pesos
e duas medidas: uns na prisão, perseguidos e injustiçados, e outros cá
fora, com os bolsos cheios do produto do roubo, circulando impunes e
sem castigo.
Basta de vergonha!
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