A notícia relacionada com a criação de um suposto grupo denominado PCP,
formado por brasileiros da Margem Sul de Lisboa que se dedicam ao crime
violento, foi catalogada pelo Leonel Carvalho como uma brincadeira.
«Algum grupo de jovens que quer formar um clube ou uma organização dessas
será por brincadeira», disse Leonel Carvalho, General de Rui Pereira no
Gabinete Coordenador de Segurança. Leonel Carvalho foi também o
«perito» que disse, recentemente, «não existirem gangues em Portugal».
Minutos depois Rui Pereira apresentava uma versão totalmente
contraditória, a sua resposta típica reveladora de que nada sabe,
dizendo que esse assunto «está em segredo de justiça» e que certamente
«a polícia judiciária está a investigar». Acrescentou ainda a novidade
absoluta de que «a criminalidade organizada é em geral competência da
Polícia Judiciária». A ausência de informação, a
necessidade de falar porque sim, a contradição de discursos separados
apenas por minutos, é reveladora da displicência com que estas figuras
têm tratado assuntos de tão elevada gravidade.
Se o senhor ministro não sabe, nós lembramos: na margem sul têm sido
assassinados taxistas e comerciantes, diversos polícias já foram
agredidos e baleados, há centenas de violações relatadas em queixas, os
assaltos violentos são diários. Já que gosta tanto de relatórios, peça
um à PSP sobre o Bairro da Bela Vista, palco habitual de confrontos de
gangues. A criminalidade organizada prolifera na Margem Sul, não de
agora mas há décadas, zona onde há ainda grupos suspeitos de golpes
terroristas de elevada sofisticação. Se não se lembra, recordamos o atentado à bomba junto
ao Aeroporto de Lisboa há pouco mais de um ano em que são apontados
suspeitos da Margem Sul. Se não sabe, é grave, mas peça relatórios.
Acresce que a sucessiva desvalorização do crime violento por parte
destes «responsáveis», crime esse que tantas vidas tem ceifado e outras
tantas famílias destruído no nosso país, é antes de mais uma
inaceitável desconsideração e desprezo total pelas vítimas desses
episódios. O Governo, e em especial Rui Pereira, demonstrou várias
vezes que não tem capacidade técnica nem moral para exercer um cargo
que envolve tanta responsabilidade. Por muito menos foram despedidos
outros Ministros da Administração Interna. Que interesses obscuros
protegem Rui Pereira? Porque é que este sinistro continua a
ocupar aquele cargo?
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